Artigo

SEO Morreu? Impacto do ChatGPT no Google

10 min de leitura

Depois do ChatGPT e das IAs conversacionais, muita gente parou de ganhar dinheiro na internet. A HubSpot, que é referência em marketing digital, perdeu mais de 80% do tráfego orgânico em um ano. O Stack Overflow, que era a bíblia dos devs, viu o número de perguntas novas despencar mais de 75%.

E isso desperta a pergunta: o SEO morreu finalmente?

Nesse post eu quero mostrar quem quebrou, quem se adaptou e o que você precisa fazer pra continuar sobrevivendo nesse mundo.

O que mudou no comportamento de busca

Antes do ChatGPT era muito simples. Você pesquisava coisas tipo "como integrar JWT no meu site", encontrava uns três, quatro links, se tivesse muito desesperado ia pra página dois, lia um monte de artigo, fazia comparação e tomava uma decisão. Levava uns 10, 15 minutos. Mas no fim você conseguia o que queria — ou às vezes não também, né?

Agora você simplesmente abre o ChatGPT e pergunta direto. "Me explica como implementar JWT na minha aplicação Next.js, sei lá o que mais." Em 30 segundos ele te dá uma resposta. Ou então você pede roteiro de viagem, tira dúvida sobre saúde, e se for código, você usa um agente de IA que lê o seu código e implementa tudo ali bonitinho sem você precisar pesquisar nada. Pelo amor de Deus, não coloca no ar nenhum código que você não entenda — mas o fluxo novo é esse.

Você pergunta e recebe a resposta sem popup, sem anúncio, sem newsletter pedindo seu e-mail.

Mas o que mudou não foi só a ferramenta. Foi a expectativa. As pessoas não querem mais garimpar informação, ir atrás de várias fontes pra comparar, bater uma coisa com a outra e então chegar numa conclusão. Elas querem as coisas prontas na hora. E não só isso — elas querem algo que consigam conversar pra poder contextualizar, colocar aquela informação no contexto delas.

E o Google sempre foi meio lerdinho nisso, porque você tinha todo esse trabalho de fazer a pesquisa e entender todos os cenários sozinho.

Os números que comprovam

Isso não é só percepção, não é só a gente que acha. Tem números que comprovam.

A HubSpot, que ganhava pesado com anúncio e marketing digital, tinha cerca de 14.8 milhões de acessos por mês. Isso despencou pra 2.8 milhões. De 14 pra 2 é muita coisa, cara. Estamos falando de uma queda de 81% em um ano. E a própria CEO da HubSpot confirmou que isso tinha a ver com o AI Overview do Google — aquela resposta que já aparece na home quando você pesquisa alguma coisa e a pessoa não precisa clicar em link nenhum porque já tem toda a informação ali pra ela.

E quem ganha com acesso ganha com anúncio. O seu acesso é o produto deles, entende? Sem acesso, a receita cai.

A mesma coisa aconteceu com o Stack Overflow. É um fórum onde você faz uma pergunta e recebe uma resposta. Eles tiveram uma queda de tráfego de 35%, o que pode não parecer muito. Mas o que assustou de verdade foi o número de novas perguntas: caiu mais de 75%. O que é bem ruim pra um site de perguntas e respostas, né? As pessoas simplesmente pararam de perguntar lá. Você tem um chat pra perguntar, vai perguntar pra alguém por quê? Pra ficar esperando resposta?

Empresas que publicam artigos e relatórios de mercado, como Business Insider e HuffPost, tiveram quedas de 40 a 45%.

E a maior mudança tá sendo da galera mais jovem. Quase metade da Geração Z não tá mais usando o Google pra pesquisar. Eles vão direto no TikTok, no Instagram ou em ferramentas tipo ChatGPT, Perplexity, Gemini. O próprio Google admitiu isso — um VP sênior falou publicamente que mais de 40% dos jovens de 14 a 28 anos preferem pesquisar no TikTok do que no Google.

Não é que isso vai matar essas ferramentas. Mas o Google não é mais monopólio de pesquisa.

Quem tá se ferrando mais

Sites de tutorial são os primeiros a quebrar. Aqueles blogs que ensinam coisinhas básicas, sabe? Tipo posts de programação: "como instanciar um array". Cara, esquece. O ChatGPT vai te ensinar isso em 10 segundos.

Sites que fazem roteiro de viagem, comparação entre coisas, ou até comparativo de framework e tecnologia — tudo isso tá caindo muito. As pessoas não vão mais em sites pra comparar qual celular é melhor se elas podem perguntar pro ChatGPT, que ainda vai mostrar o preço.

Conteúdos rasos, conteúdos leves que são criados só pra SEO — isso vai continuar despencando.

Eu inclusive tenho um blog. Não divulgo muito, mas tá lá. E eu evito esse tipo de post simples, sabe? Que não tem contexto, não tem opinião, não tem personalidade. Porque esse tipo de coisa não constrói nada, são coisas que podem ser pesquisadas de outras formas. Eu prefiro coisas únicas que só eu criaria.

Quem se adaptou

Mas isso não é o apocalipse. Ainda tem como se adaptar, e muitas empresas e sites se adaptaram muito bem.

O GitHub continua crescendo. E não é só porque é uma ferramenta que se usa — é porque ele fornece dados pras IAs. O próprio ChatGPT, a parte de código dele, foi treinada com os dados dos repositórios do GitHub. Então, em vez de competir com o ChatGPT, ele tá fornecendo informação. Inclusive você pode interagir com a IA que tá dentro do GitHub. É uma forma deles coexistirem.

Dev.to e Hashnode mudaram um pouquinho o foco pra virar comunidade de discussão. Em vez de incentivar posts genéricos tipo "como criar uma API em Python", eles focam mais em experiências pessoais pras pessoas compartilharem conhecimentos. Uma coisa mais tipo "como eu resolvi um bug estranho com React" ou "como tal coisa se aplicou pra mim no meu cenário". Esse é o tipo de coisa que a IA não tem, porque ela não tem vivência. Ela vai se alimentar desses posts eventualmente, mas não tem como adaptar um cenário muito específico baseado numa vivência real, entende?

O Reddit pra mim é o mais impressionante. Entre 2023 e 2024 o tráfego quase triplicou — saiu de cerca de 150 milhões de acessos por mês pra 400 milhões. As pessoas querem conversar sobre tecnologia, ver opiniões, ver casos de uso, e não só ter uma resposta genérica fabricada.

O que ainda funciona

O que eu vejo funcionando hoje são basicamente três coisas.

Primeiro: conteúdo baseado em experiência pessoal. Tipo "como eu escalei um sistema de 100 pra 100 mil usuários". A IA pode até te falar como você poderia fazer, mas experiência pessoal de como foi feito e quais problemas tiveram, ela não vai conseguir inventar. É a sua história, a sua vivência. E é exatamente isso que o Google tá priorizando agora — uma coisa que eles chamam de E-E-A-T: experiência, expertise, autoridade e confiança.

Segundo: comparações baseadas no uso real, não só na especificação técnica. Não é mais "React tem isso, Angular tem aquilo". É mais tipo "eu usei isso aqui no React, mas precisei mudar pro Angular nesse caso porque funcionou melhor". Vem carregado de um contexto real, então tem mais peso do que só um comparativo baseado nas especificações.

Terceiro: conteúdo de timing. A OpenAI e muitas IAs têm um corte de conhecimento. A gente produz muito mais conteúdo do que elas conseguem absorver. Então ser o primeiro a falar de uma tecnologia nova ou de uma notícia recente ainda pode te dar uma vantagem. É uma janela de oportunidade de semanas, talvez meses.

Se você acompanha meu canal, sabe que é isso que eu tento fazer. Eu não fico falando de coisinhas básicas que você pode encontrar no Google em 5 minutos. Que conteúdo de valor é esse? Se você pode aprender alguma coisa em 5 minutos, pra que eu vou perder meu tempo fazendo um vídeo de 15 minutos tentando te explicar? Ainda mais se uma IA pudesse explicar melhor do que eu. Aqui eu prefiro falar como eu implementaria sistemas, quais erros eu já cometi, minha opinião pessoal, minhas histórias. E opinião é uma coisa que as IAs ainda não têm.

O futuro do Google

O Google não é bobo. Ele sabe que tá perdendo relevância por conta das IAs. E a resposta dele foi o AI Overview — aquela resposta de IA que aparece na home do Google quando você faz uma pergunta. Ele pega a sua pergunta e já tenta te responder direto pra você não precisar acessar nenhum site. Inclusive, se você clicar lá, abre um chat com o Gemini e você pode continuar perguntando, informar contexto, essas coisas.

Mas tem um problema estrutural que é interessante de analisar. O modelo de negócio do Google sempre foi: o usuário pesquisa, clica em link, vê anúncio. Mas se a IA já responde tudo pra ele, onde fica o anúncio? Onde fica a receita do Google nisso? Como monetiza uma conversa com IA que custa muito caro?

A ferramenta que eles colocaram pra competir com o ChatGPT tá canibalizando o ganho deles. Pra mim parece mais um movimento de "fique aqui, sabe?". Já que você vai usar resultados de IA de qualquer forma, use o meu. Meio que pra fidelizar o cliente.

Pesquisas tipo "restaurante perto de mim" ou "receita de tal coisa", as pessoas continuam fazendo no Google. Mas buscas informacionais, especialmente técnicas, migraram pras IAs. E esse é um caminho sem volta, cara. Não tem mais um mundo sem inteligência artificial.

O que fazer na prática

Se você depende de SEO, tem algumas coisas que pode fazer pra continuar se mantendo.

Primeiro: pivotar. Pivotar pra conteúdos de autoridade e experiência. Sair de tutoriais e coisinhas simples que possam ser perguntadas pra uma IA. Tem que ser assuntos mais de experiência, mais personalizados ou que gerem autoridade.

Segundo: trabalhar junto com as IAs. Existem formas de conectar o seu sistema em MCPs, criar aplicações, de um jeito que o seu site e o seu produto continuem sendo consumidos pela IA — gerando link reverso, mais acessos ou até vendendo seu produto ali no meio da conexão. O ChatGPT abriu pra apps, você pode implementar o seu de uma forma que a pessoa ao interagir tenha acesso ao seu conteúdo. Assim você não vai competir, você vai jogar o jogo, entende?

Terceiro: focar em comunidade. Não foca mais só em conteúdo de mão única. A pessoa vai encontrar valor não só no texto, não só no conteúdo, mas no contato com você. Principalmente se você tá começando do zero — não foca só em coisas que dependem de ser encontrado. Vai pra um lugar que tenha conversa direta.

Conclusão

O SEO não morreu, mas ele mudou de forma irreversível. Todos os sites que tentarem continuar insistindo no modelo antigo vão acabar sofrendo, porque não é mais assim que as pessoas estão se comportando.

Você não adapta o comportamento das pessoas ao seu produto — você adapta o produto ao uso das pessoas. Ter dado certo no passado não significa que vai dar certo pra sempre, entende?

O futuro não é SEO versus IA. É os dois juntos. Você precisa se adaptar, não lutar contra a maré.

Racoelho

Conteúdo sobre desenvolvimento, tecnologia e desafios de programação para impulsionar sua carreira em tech.

Conecte-se

© 2024- 2026 Racoelho. Todos os direitos reservados.

v3.0.14 • Build: 2025-12-04